São nove horas da manhã em Barra do Garças, sul do Mato Grosso, fronteiriça com Aragarças (GO). No centro da cidade, próximo do rio que divide os dois estados, fica uma pequena loja de CDs, a Brassom, há 23 anos na cidade, sob a batuta de José “Juca” de Oliveira. Pequena, a loja trabalha com todo tipo de música: religiosa, MPB, sertaneja – aliás, seu carro chefe – e, num diferencial das outras lojas da cidade, música indígena.
Os mais de mil CDs e DVDs de produção indígena disponíveis, em sua imensa maioria Xavante, são o ponto alto de 10 anos de distribuição das produções voltadas à etnia. Juca começou distribuindo fitas K7, trazidas por Fabiano, e depois por outros artistas da etnia. Desde 2004 as fitas passaram a ser trocadas por CDs, e não demorou muito por DVDs, gravados em estúdios caseiros. Hoje, muitas das cópias tem o “selo” da Brassom, que reproduz e imprime as capas das mídias. “O negócio vai bem. Do dia 2 ao dia 10 aqui (em Barra) parece uma aldeia, tem muitos índios, e vendemos bastante”, diz Juca.
As produções vem principalmente do sul e leste do estado, gravadas em estúdios caseiros ou em cidades como Poxoréu, Rondonópolis e Aragarças. As músicas variam, dos tradicionais cantos da etnia, cerimoniais – os mesmos que ganharam mundo nas gravações da banda Sepultura, em seu álbum Roots (1996) – até um “pop” da etnia, com a produção de músicas com bases rítmicas e letras tradicionais mas utilizando instrumentos “ocidentais”, assim como com bases rítmicas mixadas e temas não tradicionais, como amor, defesa às crianças, temas ambientalistas e músicas de louvor cristãs, além de adaptações de músicas tradicionais andinas.
Dos CDs musicais à disposição na Brassom, a maioria é de abordagens “pop”. Entre os DVDs, a vertente documental e testemunhal predominam, registrando principalmente as competições esportivas e festas, mas também um caso policial – o DVD “luta e liberdade do jovem Xavante”, que narra um entrevero entre a polícia de Primavera do Leste e Xavantes por causa de um jovem preso injustamente, o que mobilizou diversos indígenas da etnia, muitos pintados e armados para a guerra – e um título religioso, de apresentação do evangelho cristão.
A difusão de CDs e DVDs é feita sem que se repasse lucro aos indígenas, que não cobram sua participação nos ganhos. Como toda a produção é feita na língua da etnia – do tronco Jê – basicamente toda a produção é distribuída entre eles, e os ganhos, R$ 6,00 para os CDs e R$ 10,00 para os DVDs, cobrem os custos da loja. Além das produções da etnia também são comercializados CDs de música andina e de tribos dos Estados Unidos, trazidas pelos próprios Xavantes – “Eles usam muito estas músicas para compor as deles. Este quem me trouxe foi o Agnelo (da aldeia São Marcos)”, conta o comerciante.
Embora seja a maior do gênero na região, a Brassom não é a única a trabalhar com as músicas indígenas. Em Primavera do Leste (MT) a CD Show vende as músicas, gravadas em CDs, em formato MP3 ou WMA. De forma semelhante à Brassom, a venda aos índios não é o carro chefe da loja, que se mantém com o sertanejo, e não copia os DVDs – houve discussão com um indígena, que aparecia em um dos DVDs e não gostou de saber que eram vendidos livremente. Hoje os empregados da loja apenas revendem os DVDs trazidos pelos Xavantes. Apesar da ausência das mídias físicas há mais de 760 músicas nos computadores da loja, e as vendedoras montam os CDs de acordo com o pedido do cliente, a R$ 5,00 a mídia.
Para o professor Massimo Canevacci, da Universidade La Sapienza, de Roma, que estudou os rituais e representação das etnias Xavante e Bororo, a constituição de um mercado informal de autorepresentação apresenta um potencial fantástico – “Às vezes a TV publica e também a Rede Globo apresentam a cultura indígena através do panorama ecológico da defesa da natureza, em estilo de ‘publicidade National Geographic’, uma Playboy da ‘natureza’, insuportável”.
Segundo o estudioso, a autorepresentação através de mídias sonoras e visuais não é novidade na etnia, datando de meados da década de 1990, e muito impulsionada pelo digital, tanto em sua captação quanto em sua edição e produção, e são fundamentais – “Neste contexto de rápida mudança, crescimento demográfico, instrução autônoma, etc, as novas tecnologia digital encarnam a fratura que se apresenta na vida quotidiana e também na epistemologia indígena”, completa Canevacci.
De quinta-feira (11) a domingo (14), Brasília será palco de grandes discussões sobre Cultura envolvendo artistas, produtores culturais, investidores, gestores e representantes da sociedade de todo o País. Eles estarão reunidos na II Conferência Nacional de Cultura (CNC), que acontece no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, com o objetivo de debater, aperfeiçoar e formular políticas públicas da área.
Na abertura do encontro, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, receberá o presidente da República em exercício, José Alencar, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, outros ministros de Estado e secretários Estaduais e Municipais de Cultura. A cerimônia de abertura será apenas para convidados e imprensa, na noite do dia 11, no Teatro Nacional Cláudio Santoro.
Segundo o ministro Juca Ferreira, eventos como a Conferência provam como é positivo e essencial que a sociedade tome cada vez mais iniciativas, uma vez que o papel do Estado é criar as condições para o acesso, para o desfrute.
Os debates da Conferência contribuirão para a construção de um marco regulatório da Cultura, fundamental para o fortalecimento da área no País. Outras áreas estratégicas como Educação, Saúde e, mais recentemente, Assistência Social, já possuem seus marcos regulatórios. Na Cultura, estão em tramitação no Congresso Nacional o Sistema Nacional de Cultura (SNC), o Plano Nacional de Cultura (PNC) e a PEC 150/2003, que vincula à Cultura 2% da receita federal, 1,5% das estaduais e 1% das municipais. Durante o encontro, também serão avaliados os resultados da I Conferência, realizada há cinco anos.
Os debates seguirão cinco eixos temáticos: Produção Simbólica e Diversidade Cultural; Cultura, Cidade e Cidadania; Cultura e Desenvolvimento Sustentável; Cultura e Economia Criativa; Gestão e Institucionalidade da Cultura.
Dentro das etapas da II CNC, foram feitas conferências municipais e intermunicipais; estaduais e do Distrito Federal; pré-conferências setoriais; conferência virtual e conferências livres como forma de mobilizar os setores culturais para esta plenária nacional.
Todos os estados realizaram suas conferências, elegendo 743 delegados ao todo. Mais de 200 mil pessoas estiveram diretamente envolvidas nas etapas estaduais e municipais. No total, foram realizadas 143 pré-conferências setoriais, com 3.193 inscritos como candidatos a delegado. Além de deliberar, esses encontros têm o objetivo de estimular a criação e o fortalecimento de redes de agentes e instituições culturais do País, para dar prosseguimento, em caráter permanente, às discussões e articulações.
Em sua primeira edição, em 2005, 1.192 municípios realizaram conferências, o que representou 21,42% do total das cidades brasileiras. Nesta segunda Conferência, nas etapas municipais e estaduais, observou-se um significativo avanço no processo participativo, uma vez que, de agosto a outubro de 2009, aconteceram 3.071 reuniões, ou seja, mais da metade do total dos municípios do País estiveram envolvidos.
Serviço:
II Conferência Nacional de Cultura
De 11 a 14 de março
Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 – Setor Hoteleiro Sul, Qd 06 lote 1 conjunto A
Brasília – DF
“E pensar não é somente ‘raciocinar’ ou ‘calcular’ ou ‘argumentar’, como nos tem sido ensinado algumas vezes, mas é sobretudo dar sentido ao que somos e ao que nos acontece” (Jorge Larrosa Bondia)
Fato genuíno na cena contemporânea é o da juventude que se manifesta com reverberação notável por espaços para intervenção e expressão em suas comunidades, sobretudo quando pensamos cultura e educação como um encontro vivo – possível, palpável e obrigatório – não precipitando a uma condição utópica, pois, ao contrário, pode ser real e extremamente salutar, visto que a efetivação e potencialização de ações consequentes a partir do conhecimento e apropriação de ferramentas que proporcionam o “vir a ser” como um meio e não um fim, possibilitam uma real formação de jovens cidadãos aprendizes e artistas a emergir e transgredir conceitos e experiências sobre comunidade e sociedade[1] na cidade de São Paulo com consequências singulares, pois “o ser humano criou a cultura, realidade especificamente humana”[2].
A interseção em movimento e não hierárquica faz parte das relações entre os jovens e suas exposições no mundo contemporâneo. Sobrepondo-se a tudo isso, prognósticos resultantes a partir de uma re-união para apreciação crítica a respeito de métodos e tendências educacionais formativas e informativas em paralelo com correntes de ações artístico-pedagógicas diversas trazem à tona uma necessidade a curto prazo de um processo de (re)transfiguração, que já se encontra em projeção. Uma das formas de romper o processo de massificação típico dos tempos em que vivemos é a busca pela construção coletiva do conhecimento, com vetor atitudinal, derivando uma espécie de pedagogia “compartilhada” onde o foco metodológico surge a partir das vontades, necessidades e urgências de cada grupo, inserindo-nos também nestes grupos. Que discurso é este? Não seria difícil apontar as dificuldades e afinidades de busca e preocupação que envolvem as relações institucionalizadas na sociedade atual nestes âmbitos. Afinal, embora de interesse público, estabelece-se frequentemente uma ambiguidade que interrompe a linearidade de qualquer problematização a respeito destes temas.
O centro de ação gerador de transformação política torna-se possível e digerível através de uma camada etária estratégica neste âmbito: a juventude, mas não só, pois são aqueles que possuem uma disposição natural e espontânea para a arte. Faço questão de estabelecer aqui um viés de reflexão potencial a partir da inserção e imersão dos e nos jovens, que hoje deixa explícito uma configuração natural de permeabilização gestora dada pela vivência prática e pelas relações de todos os conteúdos a partir de terminologias obrigatórias nesta discussão: “identidade e alteridade”, “apreciação e reflexão crítica”, “escuta sensível”, “democratização”, “transparência”, “parceria”, “sustentabilidade”, “emancipação” e sobretudo “experiência”[3]. Apesar de alguns pensadores da atualidade afirmarem que vivemos em tempos “líquidos”, onde o que antes era concebido como “sólido”, não se sustenta mais (ações em âmbitos diversos), os jovens apresentam neste período formativo fundamentos e necessidades que dialogam diretamente com a busca por espaços de intervenção artística urbana (socialmente obrigatória) para execução de procedimentos a partir de metodologias que façam emergir (e não necessariamente descobrir) vocações e talentos dando-lhes voz, através de uma prática, seja individual ou coletiva, inclusiva e “sociabilizante” por natureza. Sobretudo numa cidade como São Paulo, única por suas contradições e instigante por se caracterizar como uma cidade em que a pluralidade do bem cultural extrapola as discussões ínfimas, fazendo transcender qualquer fator limitante, onde as velhas noções de centro e periferia já não se aplicam. Perpassando literalmente pelo fator das pessoalidades, há de se notar a capacidade de ação autenticamente autoral nas estratégias necessárias e colaborativas à implantação de uma ação local. Definidora de uma rede de integração e, concomitantemente, de comunicação potente, em todas as suas dimensões, mesmo que de forma paulatina, daqui a um tempo serão capazes de apontar múltiplas tendências (diversos bairros vocacionais – verdadeiros pólos de iniciativas pioneiras) que tornam concretas perspectivas consequentes em todos os desdobramentos, sejam criativos, imagéticos, sociológicos, antropológicos, etc.
Intimamente ligados às questões apontadas, com resiliências intrínsecas ao fazer, temos um quadro onde cidade, comunidade, sociedade, juventude, cultura e educação passam a existir como campo gerador de interseção e multiplicação que podem ser estabelecidos de diversas formas. Numa instância menor, uma discussão sobre mapeamento cognitivo e potencialidades de pesquisa a partir de diferentes estímulos baseados em “Os Olhos dos Pobres”, dos Pequenos Poemas em Prosa de Charles Baudelaire, ou “Omelete de Amoras” de Walter Benjamin, podem ser um exemplo. Por outro lado, num âmbito maior, efetiva-se uma cidade com jovens indivíduos que pensam e “dançam” com perspectivas transformadoras: de criação e ocupação da produção artística contemporânea em cada bairro da cidade de São Paulo; de formação de público; de democratização das ferramentas de trabalho; de abertura para novos grupos e entidades da comunidade na ocupação de espaços públicos próximos; de agregar valor cultural ao “cultivo” do espaço e civilização no “olhar” ao bem público; de novas condições de “lugar” que cada comunidade das diversas regiões da cidade podem ter (um início de revitalização cultural não só do bairro, mas da região). São perspectivas que não se fecham por aqui e outras tantas poderiam ser apresentadas, a partir de um estudo considerável, que confirmem do interesse público o valor de sua permanência.
Uma nova relação de ensino e aprendizagem através da cultura e educação surge do e no espaço da cidade, necessitando fruir o quanto antes para todos os campos, deixando para trás uma política de ação baseada em formatos herméticos verticalizados através da exacerbação do poder centralizador e da detecção de saberes como possibilidade unilateral e ao mesmo tempo dicotômica.
[1]BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.[2] BOFF, Leonardo. Identidade e Complexidade. In Ensaios de Complexidade. Coordenação de Gustavo de Castro et.al. Porto Alegre:Sulina, 1997.
[3] LARROSA, Jorge. “Notas sobre a experiência e o saber da experiência”. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 19, p. 20-28, jan./abr. 2002.).
O Ministério da Cultura jogou para o Congresso Nacional a discussão sobre a regulamentação do canal obrigatório dedicado ao cinema nacional na TV a cabo. Trata-se de uma obrigação criada na Lei do Cabo: toda operadora de TV a cabo deve carregar pelo menos um canal destinado exclusivamente ao cinema nacional. Atualmente existem dois canais credenciados: o Canal Brasil, programado por uma associação da Globosat com um grupo de produtores, e o Cine Brasil, da distribuidora Tereza Trautman.
No final de 2009 o MinC publicou a Portaria n° 128, que, após uma consulta pública sobre o tema, estabeleceu novos critérios para credenciar programadoras de canais independentes de TV a cabo. A principal mudança instituída pela portaria foi estabelecer que os canais credenciados nesta categoria deveriam ter programação exclusivamente composta por produção independente nacional. Com a decisão, o Canal Brasil, que existe há 12 anos, deixaria de se enquadrar à regra, ou teria que mudar sua relação com os coprodutores. Isto porque o canal conta com programas dedicados ao cinema ou à cultura nacional coproduzidos com produtores independentes, mas mantendo os direitos para si. Além disso, se aventurou recentemente na produção própria com o documentário “Loki”, sobre o ex-Mutante Arnaldo Baptista.
Após a publicação da portaria, embora tivessem iniciado um processo de negociação, o canal e a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura acabaram trocando acusações com emails encaminhados a produtores que circularam em algumas listas de discussão dedicadas ao cinema na Internet.
Nesta sexta, 5, o MinC publicou portaria revogando a portaria anterior e voltando às regras de 1999 sobre o canal obrigatório de cinema nacional. Entre os argumentos usados pelo ministério para cancelar a decisão anterior está a tramitação no Congresso Nacional do Projeto de Lei 29, que cria regras para o setor de TV por assinatura e a produção independente. A portaria lembra que o PL 29 exigirá uma readequação de procedimentos por parte das operadoras; trata da ampliação do espaço para a produção independente nos serviços de TV por assinatura; cria condições para a penetração de canais com perfil semelhante nos pacotes básicos das operadoras em todas as plataformas de distribuição do serviço; trata da obrigação, por parte das operadoras, de veiculação de canais compostos por obras brasileiras de produção independente; e, por fim, revogará a Lei do Cabo.
*Fonte: TelaViva
Quero compartilhar com os leitores o curioso release de imprensa que acabo de receber do Ministério da Cultura, propagandeando a visita de Juca Ferreira à exposição de Roberto Carlos. Ele cita a exposição como exemplo das mudanças que deseja promover com a Lei e se diz fã do compositor romântico.
Íntegra do release:
Juca Ferreira visita exposição de Roberto Carlos na Oca
Lei Rouanet contribuiu com R$ 1 milhão dos custos da instalação
Brasília, 8 de março de 2010 – O ministro da Cultura, Juca Ferreira, visitou nesta segunda-feira (8) a exposição que relembra os 50 anos de carreira de Roberto Carlos, na Oca. O público pode ver os carros, fotografias de família, presentes de fãs e prêmios recebidos em todo o mundo pelo Rei, além de instalações de audiovisual com vídeos, músicas e filmes de Roberto Carlos.
A oportunidade de estar próximo a itens que até então não haviam saído da casa de Roberto Carlos tem preços acessíveis graças ao apoio de R$ 1 milhão (no total, foram investidos R$ 5 milhões) por meio da Lei Rouanet, de incentivo à Cultura. Às terças e quartas-feiras, o ingresso custa apenas R$ 5, assim como nesta segunda-feira, quando a mostra abriu excepcionalmente devido ao Dia Internacional da Mulher.
“É importante que a Lei Rouanet sirva para incentivar a cultura do povo brasileiro, e ótimo que esta exposição esteja tão acessível. Infelizmente, nem todas as ações patrocinadas têm esse comprometimento com os ingressos populares, mas porque a lei, como está, é muito frouxa. Sem critérios. Por isso aguardamos que o Congresso vote as mudanças que propusemos para criar esses critérios”, afirmou Juca Ferreira.
O ministro acredita que mesmo 2010 sendo um ano atípico, por conta das eleições, já existe consenso suficiente entre os parlamentares em Brasília para aprovar as mudanças que tornariam a Lei Rouanet mais rígida no que diz respeito à contribuição social dos espetáculos patrocinados.
“E a exposição está muito bonita. Eu gostei. Certamente é um marco da cultura brasileira. Sou fã, mas o Roberto não canta mais a música que eu mais gosto: aquela que ele manda tudo mais para o inferno”, observa Juca.
A coordenadora da exposição, Léa Penteado, destaca a democratização do acesso. “É uma exposição importantíssima, que traz um público novo para o ambiente das exposições. O Roberto consegue fazer isso. Liga gente aqui nos perguntando que roupa deve usar, o que pode trazer. São pessoas que nunca pisaram num espaço assim”.
A aposentada Rosa Olivieri, de 76 anos, entrou gratuitamente na exposição e se disse emocionada. “A gente não lembra só do Roberto Carlos, mas da própria vida da gente. Ouvíamos essas músicas, eram outros tempos. Se for a primeira exposição da vida de alguém, é para se emocionar demais”, disse.
Além dos preços populares às terças e quartas, ainda continua valendo o benefício da meia-entrada: estudantes e professores, por exemplo, pagam R$ 2,50. Pessoas até 12 anos e acima de 60 não pagam ingresso.
A primeira carta de compromissos de Lula para a cultura, “A imaginação a serviço do Brasil”, dava conta da amplitude e da complexidade da cultura e sua importância estratégica para o país. O material do segundo mandato fazia uma abordagem setorial, corporificada tanto pela metodologia da II Conferência Nacional de Cultura, organizada em pré-conferencias setoriais, quanto pela própria constituição de fundos do Procultura, PL que revoga a Lei Rouanet.
O tratamento da política cultural como um apanhado de soluções para demandas de setores econômicos organizados é um retrocesso político. Primeiro porque contradiz o princípio de que política cultural é para o povo e não para as classes organizadas em torno dos fazeres culturais. A criação, pelo PL do Procultura, de um setor da diversidade cultural, por exemplo, que até fundo setorial especifico pretende-se criar, constitui-se numa aberração conceitual.
A configuração pretendida par a nova CNIC, também no PL do Procultura, além do próprio Conselho Nacional de Políticas Culturais, segue a lógica da setorialização da cultura, o que representa uma certa predominância do olhar econômico sobre os processos políticos. E de um tratamento por nichos de demandas. E o Estado como monopolizador dos sistemas de irrigação desses setores, não apenas como regulador ou mediador.
Concordo com a valorização da cultura por sua dimensão econômica. Capaz de gerar postos de trabalho, renda, economia solidária, o setor cultural é uma realidade que poderia ser reforçada com ações positivas do Estado, cedendo crédito, impulsionando a empregabilidade e a formalização do setor, além do investimento no empreendedorismo. Mas numa abordagem tática, não estratégica. Corremos o risco de reduzir cultura a um emaranhado cada vez mais complexo de sindicatos organizados em torno de suas demandas específicas.
Do ponto de vista político essa abordagem pode ser facilitada pela representação de seus membros e pela interlocução mediada por instâncias democráticas. O Estado forte que pretende-se forjar a partir dessa sistematização funcionaria como um balcão de atendimento a essas forças organizadas e representadas. Tudo isso pode parecer positivo para o fortalecimento desses setores, mas não é.
Eles somente serão impulsionados quanto toda a sociedade participar do processo de construção de políticas culturais. Quando cidadania cultural deixar de ser um espasmo ideológico e tornar-se processo contínuo, afetando de maneira profunda os modos de vida do brasileiro. Jamais teremos uma política cultural estruturante, abrangente e que faça diferença na vida das pessoas, no processo de formação, auxiliando-nos no desafio do desenvolvimento sustentável, sem esse pleno exercício.
Por isso, cultura precisa deixar de ser campo de batalha corporativista, para ser um campo de conquista e consolidação da cidadania.
Pactos inspirados, realizações e processos decisórios, acordos firmados à luz do dia, este, sem dúvida, será o espírito de caldeirão na II Conferência Nacional de Cultura, que acontecerá no período de 11 a 14 de março em Brasília. Uma agenda sonhada, uma criação coletiva que vem sendo nutrida no seio da sociedade, geração após geração, numa sintonia fina que só os mistérios da alma humana podem explicar.
Quando o roceiro, recolhido o milho, deixa a “palha” em pousio por alguns anos, em obediência á rotina que lhe ensinou o pai, e a este o avô, está praticando a mais sábia das adubações. O rebrotar da capoeira e o acalmar das folhas maduras em lenta decomposição num ambiente de umidade sóbria, determina um estado de solo muito propicio á proliferação dum microorganismo dotado da preciosa faculdade de fixar o azoto da atmosfera em nódulos, com verrugas, esparsos pelas raízes das plantas. Isso sabe-se hoje, embora em prática de pousio seja imemorial na história da agricultura. Por que e como se fertiliza a terra com repouso? Competia ao laboratório decifrar o segredo – e só agora o faz. (Monteiro Lobato-Idéias de Jéca Tatu)
O NASCER DE UM POVO NOVO
Inicia-se então um novo período de ocupação institucional do território cultural, com novas forças e formas produtivas para dividir/somar socialmente o trabalho fértil que brota do melhor da nossa terra. Sim, a partir de então, teremos a nova renda tecida com a dimensão de um país continental que, nas múltiplas geografias, guardam nossos maiores tesouros, com vocações culturais em diferentes níveis de vida e processos, na maioria dos casos, desmetropolizados.
É deste contingente de trabalhadores que conviveram, até então, de modo bastante desigual, unidos por um cosmos nacionalizado de diversas fusões, que sairá a nova biografia da cultura brasileira, com uma massa de equipamentos simbólicos e éticos equivalentes às necessidades de se buscar, de fato, a participação da sociedade, e assim, florescer e multiplicar a cidadania das artes brasileiras.
Longe das inquietações e humores dos mercados, a consulta pública será, sem sombra de dúvida, a grande autoridade da Conferência. O Brasil merece, o povo brasileiro que ministrou este encontro e as vozes somadas por um sentido de unificação exigiram este grande manifesto.
As metas, os planos, as utopias e as cronologias idealizadas na II Conferência Nacional de Cultura estabeleceram um sentido novo para as políticas públicas, uma síntese regulada por novos atores da sociedade em busca de outra sensibilidade estética.
O Brasil que viveu divorciado de si durante todo o inferno especulativo nas artes sem direito a reflexão, nestes anos de chumbo do mercado ganancioso, sairá dessa conferência com uma carta brasileira positivamente identificável.
Os futuros volumes nos reservam uma produção cultural com obras completas e com a importância de um documento rico e soberano, aonde se conjugará cultura e economia num plano superior, a arte e a ciência serão aliadas em prol das forças produtivas da vida nacional. Os pensamentos dos quatro cantos do país se integrarão a esta edição, recriando a suíte norte-sul-leste-oeste.
O saber praticado pela inteligência do homem brasileiro, em seu exercício diário de sobrevivência, será o fator imperativo de maior importância estratégica. Os mais nobres ensinamentos sempre estiveram com o povo. É nessa essência produtiva que os novos conhecimentos se inspirarão. É dessa identidade que a conferência se nutrirá para formar a Nova Cultura.
DO CANECÃO AO CALDEIRÃO
Do primeiro encontro com Lula no Canecão, há oito anos, até agora, na II Conferência Nacional, os espaços e vozes da cultura brasileira se multiplicaram dentro do corpo do Estado. Isso é o que se pode ver limpidamente.
As reivindicações das duas assembléias têm em sua origem uma expressiva diferença. A atuação política dos trabalhadores da cultura, após quase oito anos do governo Lula, tem outra fisionomia e funcionalidade. Se no canecão ansiava-se por medidas provisórias em favor da produção individual já estabelecida pelos mercados, “colonial” ou de massa, agora, com a chegada da II Conferência nacional, a cultura será debatida dentro de um contexto menos frágil, baseado numa análise mais real dentro das racionalidades cotidianas na vida cultural do Brasil.
Há uma diferença marcante na nova cultura brasileira. No governo Lula o povo passou a ser o grande protagonista nas estratégias e movimentos. E esta participação é concreta, pois rompe com a política cultural de “edificação”, como ainda é sonhada pelas classes dominantes que creem que a democracia cultural, se torna mais “pura” a partir da elitização do pensamento, sobretudo se este pensamento for importado para perpetuar a domesticação da crítica e mantiver cativa a cultura brasileira.
Era perceptível que a maioria da “classe artística” que lotou o disputadíssimo encontro com Lula no Canecão, dias antes da sua primeira eleição, não queria saber de direitos, mas sim de privilégios, isso estava escrito naquela verdadeira crônica, pois ainda respiravam o autoritarismo dos ares elitistas e se colocavam como o “primeiro pelotão” de salvamento do povo com a sua autêntica fatalidade.
A HISTÓRIA, O ESPÍRITO E A SENSIBILIDADE DOS INDIVÍDUOS.
Pois bem, os métodos hoje são outros, os objetivos também, os personagens principais não são mais os que a “torre de marfim” ou a grande mídia instituíram. A interpretação geográfica da cultura brasileira teve significativa mudança a partir das rupturas dentro dessa nova arena, e o anel-de-fogo formado pelos vulcões de todas as nossas regiões, está em erupção.
Pode-se dizer que estamos num período pré-técnico, aonde não se consegue ainda transformar todas as intenções em ações concretas. Os tempos ainda são lentos dentro do novo manifesto, mas a presença humana é que exigirá um verdadeiro conjunto de gradual proposição para que a sucessão se dê a partir da sociedade e com a velocidade exigida por ela.
Definir o Brasil como um arquipélago cultural desperdiçado pela má gestão pública de governos anteriores e estabelecer uma nova chancela longe da fala privilegiada das classes dominantes foi, sem sombra de dúvida, uma revolução do governo Lula, a sucessão ministerial não se deu apenas na mesa.
O Ministério da Cultura tem hoje uma identidade com a sociedade brasileira que vai muito além de especulação política. A circulação mecanizada da cultura e a industrialização das práticas de balcão receberam um continuado combate público do atual governo.
O ambicioso projeto de reintegração cultural-territorial é ainda um embrião que precisará adaptar-se, por intermédio de novas técnicas, para operacionalizá-los geograficamente dentro de um sistema complementar que leve o meio natural ao meio técnico-científico para elaboração de uma nova obra, enxergando a evolução, pois à medida que reconhecemos nossas heranças, identificamos o papel ativo destes fatores e fica fácil combiná-los em suas potencialidades.
A segunda grande fase de produção nacional será estabelecida a partir do período que podemos chamar de pós-guerra, da luta travada entre duas sociedades que, estimuladas pelo pré-conceito de “escolhidos x renegados” pelo mercado de especulação social, não mais se enxergavam como um povo único.
A mecanização seletiva funcionava, em grosso modo, como uma ferrugem nos meios sociais, técnicos e científicos de nossas instituições culturais. Estes se achavam autorizados a determinar uma seqüência de valores rígidos à sociedade, e a fala privilegiada sempre sonegou a presença histórica do que temos de mais rico, a cultura do povo brasileiro.
Interpretar a história social de nossa cultura longe da fragilidade conceitual e mistificadora dos “caçadores do mercado de massas” ou da especulação “culta” dos “coletores de impostos” via leis de incentivos é, sem dúvida, a nossa maior vitória.
O desenvolvimento de um projeto nacional de cultura que nasce hoje na base da sociedade, se utilizará de diversos instrumentos e técnicas disponíveis e, portanto, capazes de navegar rios e mares e intervir-cultivar todas as áreas do território cultural, da pesquisa à criação. Isso significará a implantação de um novo cenário de matriz federativa e, consequentemente, a expansão de fronteiras que naturalmente comandarão os novos circuitos da nova cultura brasileira.
Podemos sim dizer que a fogueira que faz ferver a II Conferência Nacional de Cultura e a nova filosofia de idéias e conquistas que fundaram um novo estado da cultura brasileira, não foi tarefa fácil.
Reconstituir nossos sonhos e desejos, recorrer à memória sem nos perdermos no tempo, caminhar longe da idéia de peregrinação fundamentalista, manter serena e fortalecida a caminhada rumo a uma nova documentação, recorrendo ao perfume de biografia harmoniosamente singularizada pelo povo brasileiro, exigiu habilidade para lidar com confidências e sentimentos, e levar a cultura brasileira ao mérito principal.
Reunir as glórias e os desalentos dispersos, transfigurar a força e a fé na reconstituição da nossa imagem, foi uma odisséia de fusões de amizades, estimas, conselhos, advertências, e protestos. Para iluminar a resistência com paixão, ajustar a memória ao pensamento e criar novos cânticos, foi preciso seguir a seqüência lógica de nossas realidades e chegar à Conquista do Azoto.
A comissão de seleção do Edital de apoio à produção de documentários etnográficos sobre patrimônio cultural imaterial (Etnodoc 2009) anunciou os 16 projetos vencedores entre os 706 inscritos. Os projetos serão produzidos este ano e destinam-se à exibição em redes públicas de TV.
Oriundo de projeto mais amplo, intitulado “Sensibilização e orientação para salvaguarda do patrimônio cultural imaterial”, o Etnodoc foi criado em 2007 a partir de um grupo de trabalho composto por especialistas do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) e do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Ministério da Cultura. Cabe à Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro, vinculado ao CNFCP, a gestão do projeto, patrocinado pela Petrobras, num total de R$ 1.200.000,00.
Entende-se por patrimônio cultural imaterial a definição estabelecida no artigo 2º da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO, publicada em 2003: “as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.
O Etnodoc busca somar esforços e ampliar as ações voltadas para a valorização e promoção dessa dimensão do patrimônio cultural, assim como estimular iniciativas voltadas para a melhoria das condições de transmissão, produção e reprodução dos bens culturais que compõem esse universo.
Confira a lista dos projetos selecionados clicando aqui.
* Com informações do MinC
Estão abertas de março até 20 de abril as inscrições para concurso “Favela é Isso Aí” mostra a diversidade cultural das vilas e favelas. Os projetos escolhidos serão premiados com a gravação de um CD. Além disso, o concurso escolherá a equipe ou profissional que vai fazer o layout do informativo bimestral Favela é Isso Aí.
Cada um dos premiados vai gravar um CD demo com cinco faixas, com direito a assessoria de imprensa, incluindo fotos e releases e show de lançamento. A previsão é que as gravações sejam feitas no segundo semestre de 2010 no Estúdio Favela é Isso Aí. Os candidatos serão avaliados nas categorias: samba e pagode; Funk; Rap; Música Popular Brasileira; Forró e Sertaneja; Clássica, Instrumental, Erudita ou outros estilos não enquadrados nas categorias anteriores. O concurso está sendo viabilizado através de recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura / Fundo de Projetos Culturais.
Além disso, também estão abertas as inscrições para o concurso que vai escolher o profissional ou a equipe responsável pelo design das próximas seis edições do Informativo Favela é Isso Aí, que foi lançado em 2006, e hoje tem periodicidade bimestral. O informativo traz a história de vilas e favelas de Belo Horizonte, textos de especialistas na área, notícias sobre os projetos da ONG e também experiências sociais de várias partes do mundo que merecem ser replicadas. Cada edição tem tiragem de três mil exemplares.
O prêmio para o primeiro colocado é de R$ 4.000. As edições anteriores em formato tablóide e oito páginas estão disponíveis no link www.favelaeissoai.com.br/informativos.php. Para mais informações, acesse www.favelaeissoai.com.br
Até o dia 11 de março, estão abertas as inscrições para as oficinas que serão ministradas durante a segunda edição do Festival Nacional de Teatro que acontece de 15 a 21 de março, em diversos espaços da capital baiana. Produzido pela Cooperativa Baiana de Teatro (CBT), o Festival Nacional conta com apoio do Fundo de Cultura através da Secretaria de Cultura do Estado.
As oficinas, a preços populares ou gratuitas, abrangem diversas pesquisas de linguagens teatrais como dramaturgia corporal, técnicas de animação de bonecos, processo de criação de espetáculos, interpretação e são ministradas por especialistas de todo país, a exemplo dos atores do Grupo Tapa, de São Paulo.
As inscrições podem ser feitas através do blog do evento ou presencialmente na sede da produtora Quatro Produções, na rua Comendador José Alves Ferreira, nº 138, Garcia, Salvador (BA), das 9h às 18 horas. As fichas de inscrição também estão disponíveis no blog. Mais informações pelo telefone (71) 3498-6728 ou clicando aqui.
Até o dia 15 de março o Museu de Astronomia e Ciências Afins disponibiliza vagas para o 8º Curso de Segurança de Acervos Culturais em maio de 2010. O curso aborda a segurança de forma ampla, abrangendo a proteção do acervo, do prédio e das pessoas.
A iniciativa ressalta ainda a importância de medidas preventivas e de avaliações de risco, partindo da premissa de que a segurança de um bem cultural envolve aspectos multidisciplinares. O curso está estruturado em disciplinas que visam introduzir os princípios que fundamentam uma política de segurança institucional.
Os interessados podem se inscrever na secretaria da Coordenação de Documentação e Arquivo, com Vânia Rodrigues, pelo telefone (21) 2580 7010, ramal 217 e telefax (21) 3295 0918, ou pelo e-mail:vaniarodrigues@mast.br no horário de 9h às 12h e de 13h às 17h. Mais informações no site www.mast.br.
Em sua 13ª edição, o Programa Rumos do Itaú Cultural abre inscrições para quatro novos editais para o período 2010-2012, que podem contemplar até 132 projetos nas áreas de Música, Literatura, Pesquisa Acadêmica e Teatro.
Apresentando novidades, o programa abre inscrições pela primeira vez para a área de Teatro, que inscreve até o dia 30 de junho, assim como os editais das áreas de Música e Literatura. Já os projetos de Literatura poderão se inscrever até o dia 30 de julho. Além disso, o edital de Música conta duas novas categorias (Coletivo e Infantil), enquanto o de Literatura inova com a possibilidade de selecionar dois estrangeiros.
Os projetos serão selecionados por comissões autônomas, compostas por especialistas de vários Estados brasileiros e um representante do Itaú Cultural. Em entrevista coletiva, o Superintendente de Atividades Culturais do Itaú Cultural, Eduardo Saron, afirmou que as novidades do programa refletem a própria evolução da cena cultural brasileira. “Há 13 anos, as demandas do próprio mundo cultural eram muito diferentes. Com o edital de Teatro, o programa passou a atuar em 10 segmentos. Esta ampliação também se reflete no orçamento do programa, que passou de R$ 9,5 milhões, em 2009, e este ano está projetado em R$ 11 milhões.
Os resultados serão divulgados no segundo semestre de 2010 no site da instituição.
Teatro
O primeiro edital de Teatro do Rumos Itaú Cultural busca promover o intercâmbio entre teatros de grupo de todas as regiões do país. (O programa entende o teatro de grupo como comunidade ou coletivo artístico, empenhado em um mesmo projeto, com práticas de pesquisa continuada).
Conforme a gerente do Núcleo de Artes Cênicas, Sonia Sobral, o edital contemplará até 10 projetos de compartilhamento de práticas criativas entre grupos de teatro, o que significa que até 20 grupos teatrais podem ser contemplados, já que cada projeto envolverá dois grupos. Mais informações no site www.itaucultural.org.br/rumos
Livro digital, leitores digitais, internet 2.0. Muitas expressões e termos tem aparecido na mídia ultimamente. Para discutir o livro e as novas formas de negócio a partir das novas tecnologias, vai acontecer entre os dias 29 e 31 de março, o Primeiro Congresso do Livro Digital.
O evento acontece durante o 36º Encontro de Editores e Livreiros, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, que pretende promover uma discussão que englobe desde os novos suportes para a leitura, como iPad e o Kindle, e a geração de oportunidade de novos negócios para os representantes do setor, extraindo o melhor das novas tecnologias.
Organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) – em parceria com a Frankfurter Buchmesse, responsável pela maior e mais importante feira editorial do mundo, realizada em Frankfurt – o evento contará com a co-realização da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. São três dias com diversas conferências e workshops. (clique aqui e veja a programação)
Entre as personalidades internacionais confirmadas estão Michael Smith, o diretor executivo do Fórum Internacional de Publicações Digitais (IDPF na sigla em inglês), entidade que reúne a indústria de publicações digitais (e-book).
Pablo Francisco Arrieta Gomez, o colombiano que é hoje o CEO, diretor acadêmico e fundador do Monitor Capacitação Digital e consultor de empresas como Macromedia, Adobe, Wacom e Nokia e ainda a espanhola Arantxa Mellado, advogada atuante no mercado editorial, responsável pela criação da ediciona.com, um dos mais importantes espaços virtuais de encontro do mundo literário.
Os principais representantes do segmento estarão presentes no fórum de discussões que vai tratar não apenas o presente e o futuro do livro, como também da convergência das mídias e novos modelos de negócios. Além de editores, livreiros e distribuidores, são esperadas também as participações de autores, gerentes de marketing, executivos da área de negócios e conteúdo digital, advogados especializados em Direito Autoral, jornalistas, profissionais de TI e Web, publicitários, e todos que de alguma forma têm interesse no assunto do momento, o livro digital.
Uma nota sobre o mercado do livro no Brasil
Entre 2004 e 2008 o faturamento do mercado saltou 37,5%, passando de R$ 2,4 bilhões para R$ 3,3 bilhões.Por outro lado, o preço médio do livro caiu no último ano de de R$ 8,58 para R$ 8 por unidade vendida, queda de 6,75%. O número de títulos lançados por ano chega a superar a casa dos 50 mil. As livrarias continuam sendo um dos principais canais de distribuição com 45,6% das vendas.
Com informações da assessoria de imprensa da CBL (Gloriete Treviso)
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – Fundarpe, selecionou 123 candidatos para a fase de entrevistas na seleção de bolsistas de Políticas Culturais. O concurso oferece 39 bolsas a profissionais recém-formados, em diversas áreas de atuação. Eles serão capacitados para as ações de preservação, fomento, difusão e gestão na área de política cultural.
Todos os aprovados para a próxima etapa serão contatados por telefone e o agendamento das entrevistas será feito a partir do próximo dia 17.
A ideia do Programa de Aperfeiçoamento em Gestão Pública de Cultura é que os bolsistas atuem em projetos desenvolvidos nas diferentes linguagens artísticas nos equipamentos culturais do Estado, tendo como base as diretrizes da atual política pública de cultura implantada pela Fundarpe. Os selecionados receberão uma bolsa mensal no valor de R$ 1.200 e realizarão atividades supervisionadas dentro de suas áreas profissionais, considerando as linhas de ação do plano de gestão Pernambuco Nação Cultural. A bolsa tem duração de 12 meses, podendo ser renovada por mais um ano. Ao final deste período, a Fundarpe emitirá um certificado de participação, com base nos projetos e estudos desenvolvidos.
Nesta edição do programa serão oferecidas vagas nas áreas de administração, antropologia, artes cênicas, dança, teatro, direito, música (instrumental e canto), ciências sociais, ciências econômicas, economia doméstica, história, letras, comunicação social (jornalismo, rádio e TV, relações públicas e publicidade), cinema (animação e digital), design (gráfico e moda), desenho e plástica, educação artística (artes cênicas e artes plásticas), além de gastronomia e serviço alimentar. Para mais informações, acesse www.fundarpe.pe.gov.br
* Com informações do Diário Oficial de Pernambuco
A rede de mídia eletrônica estatal britânica BBC vai fechar estações de rádio, reduzir os investimentos em seu site e limitar outras porções de seu orçamento, em resposta à pressão de rivais comerciais e de políticos. O anúncio feito na terça-feira pela BBC surge em momento próximo ao de uma eleição geral e se segue a uma disputa que ganhou contornos cada vez mais públicos entre a organização, alguns de seus rivais e legisladores que a acusam de expansão desnecessária em um período no qual concorrentes comerciais da rede estão enfrentando dificuldades devido à crise global.
James Murdoch, visto como herdeiro do pai Rupert Murdoch no comando do império de mídia da News Corp, descreveu a escala e as intenções da rede pública de TV e rádio como “assustadoras”.
Sindicatos e analistas interpretaram o anúncio como um esforço da BBC para estabelecer seus planos antes da eleição deste ano, que deve resultar em cortes nos gastos públicos.
“É o público que paga as contas da BBC, e é justo que ela evolua constantemente de forma a atender às suas expectativas,” disse Michael Lyons, presidente do BBC Trust, o conselho que agora considerará as propostas.
A BBC, renomada por sua cobertura jornalística e por seriados de humor como The Office, recebe 3,6 bilhões de libras (5,4 bilhões de dólares) em receita garantida ao ano, gerada por uma taxa de licença paga por todos os domicílios britânicos que tenham televisores.
A organização anunciou que o objetivo geral seria transferir cerca de 600 milhões de libras adicionais ao ano para conteúdo de maior qualidade.
O ministro britânico da Mídia, Ben Bradshaw, que anteriormente havia argumentado que as verbas da organização precisavam ser cortadas, afirmou ter recebido positivamente as ideias da BBC, e declarou que era importante, agora, que a voz do público fosse ouvida como parte do debate.
Fonte: Reuters (Kate Holton).
O diretor-geral da BBC, Mark Thompson, disse que recomendará reduzir à metade o número de seções do site e um corte de 25 por cento em sua verba anual, até 2013.
Também propôs fechar a Radio 6 Music, a Asian Network e as estações para adolescentes BBC Switch e Blast.
(Por Kate Holton)
Depois da música gospel ter sido contemplada para receber os benefícios da Lei Rouanet, agora é a vez da literatura de cordel. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou no dia dois o projeto do senador Efraim Morais (DEM-PB) que altera a Lei Rouanet (Lei 8.313/91) para incluir a literatura de cordel entre os segmentos beneficiados com dedução de imposto de renda devido sobre quantias destinadas a doações e patrocínios.
Efraim justificou a iniciativa (PLS 232/06) como um esforço para reverter as dificuldades que os autores de cordel estão encontrando para publicar suas obras. “Por um lado, há no Brasil os conhecidos obstáculos a edições impressas de qualquer natureza; por outro, há o fato de os cordelistas serem, geralmente, pessoas simples, de reduzido poder aquisitivo – foi como Efraim explicou a redução do mercado para o cordel”, justifica.
Enfim, a lei contemplaria essa importante vertente da literatura. Os senadores ainda discutiram sobre os percentuais de recebimento do benefício no Nordeste, que têm sido absolutamente insignificantes.
A proposta ainda passará pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), para seguir depois à Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), onde receberá decisão terminativa.
Fonte: Agência Senado
A diversidade cultural como valor. Em 2001 a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO elaborou a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural.
Logo em seu 1º artigo, intitulado “diversidade cultural: herança comum da humanidade”, reforçase a idéia de que a cultura toma diversas formas ao longo do tempo e do espaço e que a diversidade está incorporada na unidade e pluralidade das identidades grupais que representam a riqueza simbólica da humanidade. Como fonte de troca, inovação e criatividade, a diversidade cultural é “tão necessária para a espécie humana quanto a biodiversidade é para a natureza”.
O ideal a ser alcançado é o pluralismo cultural, que não deve ser confundido simplesmente com a diversidade de manifestações culturais, mas como conhecimento e respeito ao “outro”. Vivemos numa sociedade em que coexistem múltiplas referências culturais afirmadas por uma “ética da universalidade de direitos e dignidade” (FIRMINO DA COSTA, 2002) que reconhece a idêntica dignidade das diferenças. Isto não significa, em absoluto, que o pluralismo seja sinônimo de congraçamento geral, mas “um espaço de emergência de demandas que não somente expressam injustiças passadas, mas a exclusão sobre a qual se assenta toda ordem social” (BURITY, 2001).
Não é que tenhamos que amar um ao outro (…) Temos é de conhecer um ao outro, e viver com este conhecimento, ou acabar como náufragos num mundo beckettiano de solilóquios em colisão (GEERTZ, 1999:30).
Em 2006 a UNESCO produziu seu mais recente documento referente à questão da diversidade cultural, a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, celebrado em Paris durante a 33ª reunião da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas entre os dias 03 e 21 de outubro de 2005. O texto oficial foi ratificado pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo 485/2006. No preâmbulo dos artigos, o texto recorda ao público leitor que a cultura e a diversidade cultural são, dentre outras coisas, uma característica essencial da humanidade; nacionais e internacionais; manifestam-se na originalidade e pluralidade de identidades; fontes de coesão social; se fortalecem mediante a livre circulação de idéias e se nutrem das trocas constantes e da interação entre os grupos sociais.
Uma série de princípios chama a atenção para o fato de que nenhuma medida ou política destinada à proteção e promoção da diversidade de expressões culturais pode infringir os direitos humanos e as liberdades fundamentais como a de expressão, informação e comunicação, bem como a liberdade dos indivíduos se expressarem culturalmente. Os países que ratificaram a Convenção estão obrigados a promover em seus territórios a criação de um ambiente que encoraje os indivíduos e os grupos sociais a criarem, produzirem, disseminarem, distribuírem e acessarem suas expressões culturais, bem como acessarem as demais expressões culturais dentro de seu território e
de outros países do mundo.
Estado-Nação e globalização
Tanto a Declaração Universal de 2001 quando a Convenção da Diversidade de 2006 foram produzidas num contexto de questionamento de conceitos há décadas enraizados nos discursos e na própria vivência dos indivíduos e grupos sociais, como “Estado-Nação” e “identidade nacional”, ameaçados por um ente abstrato de cujas garras nenhum de nós está a salvo e sobre a qual muito pouco se tem refletido para além do senso comum da “ameaça externa”: a temida globalização.
O crescente e cada vez mais intenso fluxo material e simbólico entre as regiões e grupos socioculturais ao redor do globo deixa clara a dificuldade de pensarmos o Estado-Nação como o núcleo cultural comum monolítico dentro do qual há uma adesão a um conjunto de normas válidas para toda a comunidade política. Cada vez mais se percebe que o apelo à identidade nacional unitária mostra-se hoje “anacrônico e fora de foco” (COSTA, 2009). A identidade nacional é mais uma entre tantas identidades disponíveis no cardápio simbólico oferecido no dia-a-dia, quer dizer, a afirmação da nacionalidade não invalida, submete ou diminui a importância das demais formas de identificação (gênero, etnia, classe social, orientação sexual, religião, futebolística), dependendo apenas do contexto em que tal afirmação ocorre.
Seria estranho não comemorar um gol de seu time com o torcedor ao lado porque ele não professa a mesma religião que a sua, afinal de contas, a “declaração de identidade” daquele momento é a clubística.
O conceito de identidade nacional padece, assim, de certo viés monolítico. É comum encontrarmos expressões do tipo “o brasileiro é assim”, “o argentino é desse jeito”, “o francês é daquele”, num reducionismo que se choca com a diversidade cultural. Existem, é claro, patamares de homogeneidade, como a língua, por exemplo. Mas a existência de múltiplas identidades culturais invalida a noção de cultural nacional unificada. (VIEIRA, 2009: 64)
O exemplo do futebol e da religião, duas importantes dimensões simbólicas do estar-no-mundo brasileiro, expressam a identidade em permanente construção ainda que sejamos confrontados “com movimentos e grupos que pretendem estar em direta continuidade com um passado ameaçado de destruição ou injust (ificad) amente violentado” (BURITY, 2001: 9). É interessante observarmos novas compreensões do fenômeno da identidade, como a “pós-estruturalista”, que contrapõe as identidades homogeneizadoras que aprisionam a cultura à idéia de diferença, não no sentido de herança biológica ou cultural, nem de reprodução de uma pertença simbólica conferida pelo local de nascimento ou inserção cultural, mas àquela construída no processo de sua manifestação, “fluxo de representações, articuladas ad hoc, nas entrelinhas das identidades externas totalizantes e essencialistas – nação, a classe operária, os negros, os migrantes, etc.”. (COSTA, 2009: 42). Discursos e sujeitos constituem-se simultaneamente.
Esta compressão espaço-temporal, esta realidade do “tudo ao mesmo tempo agora”, não é novidade. Numa de suas crônicas no início dos anos 1970, Nelson Rodrigues dizia que “outrora uma notícia levava meia hora para chegar de uma esquina a outra esquina. Hoje não. A INFORMAÇÃO nos persegue. Todos os sigilos são arrombados. Todas as intimidades são escancaradas” (RODRIGUES, 1995). A imagem da “aldeia global” representa, para muitos, uma ameaça aos seus estilos de vida, seus valores, suas manifestações culturais, mas, o que se observa, apesar e por causa deste processo de intensificação das trocas de informação, de material físico e simbólico, é a proliferação e fortalecimento de identidades culturais diferenciadas.
Para além do multiculturalismo
Isto significa dizer que o fenômeno da globalização é vivido de maneira diversa daquela utilizada por discursos políticos nacionalistas, xenófobos, dos chamados “comunitaristas” que advogam o fechamento das fronteiras simbólicas de seus grupos por acreditarem numa “essência” cultural imutável, a-histórica. A globalização deve ser entendida para além da “indiferenciação”, da “homogeneidade”, da “pasteurização” cultural. Esquece-se que “o global termina e se realiza no local” (DA MATTA, 1996) e que as inovações não são isentas de valores e não entram em espaços vazios de cultura.
Daí a importância de se questionar os usos políticos indevidos do conceito de “multiculturalismo”, apregoado como resistência ao rolo compressor globalizante, muitas vezes desvirtuado em nome de uma sociedade mais democrática que acolhe as diferenças. Isto porque estas diferenças passam a ser entendidas como “naturais”, herdadas biologicamente, representadas por atributos físicos que pouco ou nada dizem sobre a capacidade dos indivíduos de produzir cultura, de construir simbolicamente a realidade que os cerca. Desvirtua-se, assim, a idéia básica de que multiculturalismo diz respeito, dentre outras coisas, ao reconhecimento da não-homogeneidade cultural das sociedades e à necessidade de elaboração de políticas públicas que assegurem a diversidade de grupos e tradições, porque a sobrevivência destes grupos e tradições depende da interação com outros grupos e tradições, oxigenando-os.
O multiculturalismo não deve ser usado como instrumento de segregação física e/ou simbólica em nome da manutenção de uma suposta “verdade” intrínseca à determinada identidade coletiva. O contato fortalece a diversidade porque “obriga” os membros do grupo a repensarem e atualizarem os processos de identificação e suas formas de representação. Talvez devamos utilizar o termo “interculturalidade” proposto por Canclini (2009), remetendo-nos à confrontação e à mistura entre sociedades, ao que acontece quando os grupos entram em relações e intercâmbios. A interculturalidade tupiniquim quer “tudo junto e misturado”, sem apagar as fronteiras culturais. A cidadania cultural pressupõe a participação em múltiplos contextos simbólicos, em múltiplos pertencimentos, em múltiplas identidades, em inúmeras “províncias de significado” (SCHUTZ, 1973). As trocas de experiências fortalecem as fronteiras, mais
do que as apagam, uma vez que o significado que “entra” é ressemantizado de acordo com a visão de mundo de quem está “dentro”.
Cabe ao Estado brasileiro elaborar políticas culturais que deem conta da diversidade simbólica encontrada de norte a sul do país, dentro de cada estado, de cada cidade, de cada bairro, de cada rua. A globalização pode romper as fronteiras simbólicas do Estado-Nação, mas não elimina a responsabilidade do poder público de fomentar, em parceria com a sociedade civil e a iniciativa privada, o debate e a construção de soluções para a exclusão social e, não menos importante, cultural. A ele não cabe produzir cultura, definir o que é legítimo ou espúrio, mas dar condições para que a sociedade como um todo represente e se veja representada. Somente assim conseguiremos alcançar a tal desejada democracia cultural.
Referências bibliográficas
BURITY, Joanildo. Globalização e identidade: desafios do multiculturalismo. Trabalhos para discussão. Recife: Fundação Joaquim Nabuco. 2001.
CANCLINI, Nestor Garcia. Diversidade e direitos na interculturalidade global. In: Revista Observatório Itaú Cultural nº.8 (abril/julho). São Paulo: Itaú Cultural. 2009.
COSTA, Sergio. Diferença e identidade: a crítica pós-estruturalista ao multiculturalismo. In: VIEIRA, Liszt (org.) Identidade e globalização: impasses e perspectivas da identidade e da diversidade cultural. RJ: Record. 2009.
DA MATTA, Roberto. Globalização e identidade nacional: considerações a partir da experiência brasileira. In: MENDES, Cândido & SOARES, Luis Eduardo. Pluralismo cultural, identidade e globalização. Rio de Janeiro: Record. 1996.
GEERTZ, Clifford Os usos da diversidade. In Horizontes Antropológicos n.º 10. Diversidade Cultural e Cidadania. Porto Alegre: PPGA/UFRGS, 1999.
RODRIGUES, Nelson. Os que propõem um banho de sangue. In: CASTRO, Ruy (org.). O reacionário: memórias e confissões. São Paulo: Cia. das Letras. 1995.
SCHUTZ, Alfred. On phenomenology and social relations. Chicago: The Chicago University Press, 1973.
UNESCO. Convenção sobre a proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais. Brasília: UNESCO, 2006.
______. Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. Paris: UNESCO. 2002.
VIEIRA, Liszt. Morrer pela pátria? Notas sobre identidade nacional e globalização. In:
VIEIRA, Liszt (org.) Identidade e globalização: impasses e perspectivas da identidade e da diversidade cultural. RJ: Record. 2009.
Voltado a empresários do segmento de venda direta de livros, a ABDL – Associação Brasileira de Difusão do Livro promove o “Salão de Negócios”, que acontece de 10 a 14 de março de 2010 no Hotel Serrano Resort, em Gramado (RS).
Em sua oitava edição, o evento reunirá mais de 200 participantes do setor e tem como principal objetivo, além de estimular a leitura nos país, promover a indústria e o comércio de venda de livros porta a porta e valorizar a imagem do vendedor deste segmento.
Participam do evento as principais empresas do país especializadas no comércio direto e também grandes editoras que, atentas ao crescimento do setor, consideram a venda porta a porta como uma alternativa a mais de mercado para a venda do livro.
Segundo pesquisas realizadas em 2009, o segmento (porta a porta) elevou sua participação no mercado editorial e hoje ocupa a terceira posição entre os maiores canais de venda, atrás das livrarias e dos próprios distribuidores e à frente da internet. Mais de 28,8 milhões de livros foram vendidos. Para mais informações, acesse www.abdl.com.br
Até o dia 12 de abril, estão abertas as inscrições para seleção de proposta de gestão, visando o gerenciamento do Museu de Arte Sacra de Mato Grosso.
O concurso na modalidade de projetos irá selecionar uma entidade de direito privado sem fins lucrativos, devidamente qualificados como Organização da Sociedade Civil e Interesse Público OSCIP, ou Organização Social OS, para a execução das atividades e serviços referentes ao Museu.
Os envelopes contendo a Proposta de Gestão para o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso e os Documentos de Habilitação deverão ser entregues na Secretaria de Estado de Cultura, situada na Avenida Getúlio Vargas, n° 247, Centro, Cuiabá-MT. Para mais informações, acesse http://www.cultura.mt.gov.br